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S.O.S. Girassóis

Marrom? Um dos quadros mais famosos de Van Gogh, “Girassóis” tem o seu amarelo característico escurecido pelas luzes de led do Museu Van Gogh, em Amsterdã. Reuters

Elas são algumas de suas obras mais conhecidas, e a cor amarela foi, para Vincent van Gogh, um símbolo da felicidade. Então, a ideia de que qualquer trabalho de sua vívida série de obras-primas em que retratou girassóis está lentamente se tornando marrom certamente seria dolorosa para o pintor holandês.

As renomadas telas estão entre as dezenas de obras que parecem estar mudando de cor, e cientistas agora revelaram que isso vem acontecendo por conta da exposição das peças a luzes de extrema eficiência instaladas em galerias de arte e museus ao redor do mundo.

Cientistas descobriram que o pigmento amarelo brilhante que se destaca em várias obras de arte famosas torna-se instável sob a luz de led e, com o tempo, ele vai se transformando em um tom de verde amarronzado. Amostras de 14 trabalhos do período de 1887 a 1890 foram testadas para a reação que afeta a cor da tinta a óleo conhecida como amarelo-cromo.

Ela foi usada por artistas do século XIX e encontrada em importantes obras de Paul Cézanne e Paul Gauguin. Pesquisadores, agora, aconselharam galerias e museus a reconsiderar o uso da luz de led como uma medida de preservação para que as cores de alguns quadros não sejam deterioradas no futuro. Claus Habfast, do European Synchrotron Radiation Facility, na França, onde algumas das obras foram estudadas, disse:

– As luzes de led parecem ter muitas vantagens, mas os museus devem considerar seriamente a possibilidade de que quadros da era de Van Gogh possam estar sendo afetados por elas. As pinturas que apresentam um escurecimento moderado vão ter esse processo acelerado com o passar dos anos.

É claro que não é aconselhável colocar essas obras no escuro, porque elas fazem parte do patrimônio cultural da Humanidade e o público quer vê-las. Mas os museus precisam achar um equilíbrio.

A luz de led se tornou uma opção cada vez mais popular pelas instituições artísticas nos últimos anos como uma alternativa a lâmpadas fluorescentes. Ela também foi pensada como uma proteção para fotografias, evitando os danos causados pelos efeitos de luz natural e outras formas de iluminação.

Mas uma série de testes impulsionados pelo crescente medo dos curadores de que obras-primas estariam escurecendo sugeriu que alguns tipos de led seriam a causa do problema. Uma equipe de cientistas da França e da Alemanha usou a tecnologia de um Raio-x ultrapoderoso para analisar os tons de amarelo brilhante em pinturas de Van Gogh, Cézanne e Gauguin.

A pesquisa concentrou-se em três tons da tinta amarelo-cromo, também conhecida como cromato de chumbo. A forma mais comum deste pigmento, próximo do amarelo, foi identificada como quimicamente estável. Mas as outras duas variações – prímula e tons de limão – começaram a se tornar marrons ou verdes-oliva quando expostas aos raios verdes e azuis emitidos por algumas luzes de led. Letizia Monico, integrante do grupo de pesquisa que conduziu o experimento, disse que foram encontradas várias obras-primas afetadas :

– Nós encontramos as formas instáveis do amarelo-cromo em inúmeras pinturas célebres, como o famoso quadro “Vaso com Girassóis”, no Museu Van Gogh, em Amsterdã.

A responsável pela conservação do Museu Vang Gogh, Ella Hendriks, disse que os resultados, publicados na revista “Analytical Chemistry”, pode ter implicações em muitas outras pinturas:

– Artistas como Van Gogh, Cézanne e Gauguin usaram esse tipo de tinta, mas ela também foi utilizada por pintoeres de uma época diferente da deles, o final do século XIX.

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