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Iphan amplia tombamento da Casa de Vidro de Lina Bo Bardi em São Paulo (SP)

A área de proteção do bem inclui a residência, seu acervo e todo o jardimCompartilhe:

Publicado em 08/05/2024 18h03

fonte: https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/iphan-amplia-tombamento-da-casa-de-vidro-de-lina-bo-bardi-em-sao-paulo-sp

nstituto Bardi / Casa de Vidro / Nelson Kon

Durante a 104ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada nesta quarta-feira (8/5), foi aprovada, por unanimidade, a rerratificação do tombamento da Casa de Vidro projetada por Lina Bo Bardi, na cidade de São Paulo (SP). A decisão revisa a poligonal de tombamento e a proposta de entorno.  

O bem já havia sido tombado em 2007, com a indicação de que fosse acrescentado o acervo e o jardim. Com o fim da listagem do acervo, o assunto foi novamente apreciado em 2015, voltando à análise do Conselho Consultivo na tarde desta quarta-feira para redefinição da poligonal de proteção. O bem está inscrito no Livro do Tombo de Belas Artes e no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico como Patrimônio Cultural Brasileiro. 

A casa da arquiteta modernista ítalo-brasileira, naturalizada no Brasil após a Segunda Guerra Mundial, foi projetada em 1950 e construída em 1951. O acautelamento abarca a residência, seu acervo e o jardim em toda a sua extensão, incluindo os elementos que a configuram como residência, como a casa do caseiro, garagem, muros de arrimo, espelho d’água, forno, churrasqueira, peça de piso externo com desenho de concreto e o muro de fechamento do terreno, com portão projetado em 1987. Os três elementos – casa, jardim e acervo – se complementam e formam um conjunto de grande representatividade. 

Referência na arquitetura modernista, a casa foi residência do casal Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi por mais de quarenta anos, tem uma estrutura leve, composta de delgados pilares e fechamento dos ambientes sociais totalmente em vidro, o que lhe dá a característica e o nome de “Casa de Vidro”. 

Implantada de maneira racional no terreno em declive, possui estreita relação com o terreno e com a vegetação que a circunda. Seu jardim, com o qual a casa não existia, foi em grande parte plantado pela arquiteta e, ao longo do tempo, foi mudando sua feição, com espécies de grande porte de crescimento espontâneo. 

O acervo da arquiteta conta com 146 peças, que inclui obras de arte, mobiliário, design e um amplo conjunto de objetos. Cada item foi registrado no inventário que compõe o processo de tombamento. 

A conselheira Flávia Brito do Nascimento, responsável pelo parecer técnico que recomenda a rerratificação, pontua a importância de proteger bens culturais que “estão para além dos atributos da crítica da arquitetura, superando a condição de monumentalidade e incluindo valores, afetos, sentidos cotidianos e memoriais e as lógicas de conjuntos urbanos, com a participação da sociedade”. 

Atualmente, a casa abriga a sede do Instituto Bardi/Casa de Vidro, uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que promove atividades, exposições, pesquisas e visitas, com produção voltada para o campo da arquitetura, urbanismo, design e artes. 

O tombamento do bem pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o coloca sob proteção federal e qualquer intervenção realizada no imóvel, assim como no seu entorno, deve ser previamente autorizada pela Superintendência do Iphan no estado de São Paulo.