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Artista francês Ben morre aos 88 anos, horas após a morte da esposa

Os filhos de Ben e Annie Vautier afirmam em comunicado que seu pai se matou logo depois que sua mãe morreu de derrame na quarta-feira

fonte: https://www.theguardian.com/artanddesign/article/2024/jun/06/ben-vautier-dies-french-artist-death-aged-88

O artista francês Ben, mais conhecido por seus slogans irônicos, morreu aos 88 anos, matando-se poucas horas após a morte de sua esposa, com quem estava casado há 60 anos, informou sua família na quarta-feira.

Sua esposa, Annie, sofreu um derrame na noite de segunda-feira e morreu na quarta-feira, disseram os dois filhos do casal, Eva e François, em comunicado.

“Não querendo e incapaz de viver sem ela, Ben suicidou-se algumas horas depois na casa deles” na cidade mediterrânica francesa de Nice, disseram.

Nascido Ben Vautier em Nápoles em 1935, o artista, conhecido profissionalmente apenas como Ben, mudou-se para Nice aos 14 anos e lá passou o resto da vida.

Ele foi associado ao movimento Fluxus da década de 1960, que buscava romper o que era considerado arte, com um estilo de ironia provocativa e de rua que se mostrou altamente influente.

“Tudo é arte”, dizia, e em vez de obras de arte tradicionais, fazia “gestos”: ficar na janela de uma galeria e gritar até perder a voz, organizar peças que nunca aconteceram, ou recitais de piano onde o pianista iria fugir.

Ele assinava tudo o que quisesse, reivindicando-o como sua criação: os corpos dos transeuntes na Promenade des Anglais, em Nice, ou mesmo o trabalho de outros artistas.

“Minha arte será uma arte de apropriação. Procuro assinar tudo o que não foi assinado. Acredito que a arte está na intenção e que basta assinar”, disse certa vez, como sempre com um sorriso.

Ao ignorar o “quadro protegido dos museus” e ao recusar ver a arte como fruto de formação e talento, Ben irritou alguns na sua profissão que o consideravam um oportunista e diletante.

Mas ele insistiu que sempre havia uma mensagem séria por trás das piadas. “Não sou uma máquina de dinheiro, mas uma máquina de comunicação”, disse ele.

Tornou-se mais conhecido por seus slogans humorísticos, geralmente pintados de branco sobre fundo preto, com uma caligrafia infantil: “Para que serve a arte?”, “O novo é sempre novo?”, “O que você está fazendo aqui?”

Eles lhe renderam um lugar no MoMA em Nova York, além de serem amplamente reproduzidos – em mochilas escolares, cadernos ou pontos de bonde em Nice.

“Nos estojos dos nossos filhos, em tantos objetos do quotidiano e até na nossa imaginação, Ben deixou a sua marca, feita de liberdade e poesia, de aparente leveza e profundidade avassaladora”, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, num comunicado.

“O mundo da cultura perdeu uma lenda”, acrescentou a ministra da Cultura, Rachida Dati, saudando um “ourives da linguagem”.