Bye bye Pompidou
MAXI #26 — Ele fecha por 5 anos, mas ainda dá tempo de aproveitar
fonte: https://parisarty.substack.com/p/bye-bye-pompidou?fbclid=IwZXh0bgNhZW0BMABhZGlkAasZDHeC6SUBHQoy2LNsqwQsXpxMLbWYbK43wAYvysrMqKyfuZQFCdNhjZ64K1_J3aoWew_aem_I34bWoSETgflALrRslvqSw&utm_medium=paid&utm_source=fb&utm_id=120217356385330133&utm_content=120217356385540133&utm_term=120217356385480133&utm_campaign=120217356385330133&sfnsn=wiwspwa

Alguns o chamam de “coração de Paris” — e nós só podemos concordar! Afinal, foi ali que nossa história na cidade começou. A livraria das exposições, que na época era um ótimo lugar para trabalhar enquanto estudávamos, testemunhou o início de uma longa história de amor. Com o espaço? Sim, também! Mas, literalmente, de uma história que dura até hoje, com direito a filhos e tudo. Por isso, temos um carinho especial por esse local.
Inaugurado em 1977, o Centro Pompidou foi uma verdadeira revolução que transformou a paisagem arquitetônica e cultural de Paris. A piazza em frente à entrada principal é um ponto de encontro para jovens, turistas e moradores. Seus tubos coloridos são um sopro de modernidade em meio à cidade cinza. Suas salas acolheram algumas das exposições mais marcantes da história da arte moderna.
Mas agora… ele vai fechar! O Beaubourg, como ele também é conhecido, se despede da cena parisiense pelos próximos cinco anos. O que? Como? Quando? Onde? Por quê? Todas as respostas estão nesta edição!
No programa
- Uma revolução arquitetônica
- O templo da cultura moderna
- Por que reformar?
- Ainda dá tempo
- Mas e agora?
- Le Petit Marcel
䷰ Uma revolução arquitetônica
“No coração de Paris, um coração: um músculo, uma bomba que suga para dentro e para fora, batendo ininterruptamente, animando sem descanso, regularmente, menos regularmente às vezes, em momentos de emoção e febre, um corpo na forma de um hexágono.”
Francis Ponge, L’Écrit Beaubourg, Paris, Éditions du Centre Georges-Pompidou, 1977

Quando Georges Pompidou, então presidente da França, imaginou um grande centro dedicado à arte e à cultura contemporânea, seu desejo era criar um espaço que reunisse diversas disciplinas e tornasse a arte acessível ao maior número de pessoas. Em 1971, o projeto arquitetônico foi confiado a Renzo Piano e Richard Rogers, dois jovens arquitetos que apresentaram uma proposta ousada e inovadora. Sua visão rompia com todas as convenções: um edifício de estrutura modular, onde os elementos técnicos (tubulações, dutos de ventilação, escadas rolantes) ficariam visíveis e coloridos, liberando imensos espaços internos para a criação e experimentação artística.

Mas Georges Pompidou não chegou a ver seu projeto concluído. Ele faleceu três anos antes da inauguração do complexo que levaria seu nome. Em 31 de janeiro de 1977, o Centro Pompidou abriu suas portas, transformando radicalmente o cenário cultural de Paris.
👾 O templo da cultura moderna
Se você acha que o Centro Pompidou é um museu… Está enganado! Sim, ali fica o Museu Nacional de Arte Moderna (MNAM), mas tem muito mais do que isso. O local abriga a Biblioteca Pública de Informação (BPI), uma das maiores bibliotecas de acesso livre da França, além de espaços dedicados a exposições temporárias, um cinema, um auditório, ateliês para crianças e jovens, uma livraria especializada, uma loja de objetos criativos e o Georges, um restaurante panorâmico com vista para a cidade. Sua famosa escada rolante externa, dentro de uma tubulação transparente (apelidada de “lagarta”), leva os visitantes até o último andar, de onde se tem uma vista absolutamente espetacular.
Embora você possa passear por diversos espaços livremente e aproveitar do local sem compromisso, o museu é, de fato, imperdível. Ele possui uma das mais ricas coleções de arte moderna e contemporânea do mundo, com obras de mestres como Frida Kahlo, Picasso, Matisse, Kandinsky, Miró, Duchamp, Chagall e Léger, além de ícones absolutos da arte contemporânea como Louise Bourgeois, Andy Warhol, Joseph Beuys e Yves Klein. O acervo cobre desde o início do século XX até os dias de hoje, passando por movimentos fundamentais como o cubismo, o surrealismo, a abstração e a arte conceitual.
O Centro Pompidou também foi palco de exposições marcantes, como as retrospectivas de Salvador Dalí (1979 e 2013), a grande exposição de Francis Bacon (1996), a homenagem a Jeff Koons (2014) e a monumental retrospectiva de Christo e Jeanne-Claude (2020). A exposição de Picasso de 1985 bateu recordes de público, assim como as mostras históricas Marcel Duchamp, Les Magiciens de la Terre, DADA, Vides e ELLES@CENTREPOMPIDOU.
⚒️ Por que reformar?
Uma das razões mais delicadas para a reforma, que exige o fechamento total do centro, é a remoção do amianto das fachadas, além da substituição de todas (sim, todas!) as janelas. Outras intervenções incluem a renovação completa das instalações elétricas e sanitárias, melhorias nas proteções contra incêndios e nas centrais de tratamento de ar, além da substituição dos elevadores. Ou seja… Tudo será modernizado! Assim como a Notre-Dame, o Centre Pompidou voltará novinho em folha cinco anos depois.
⏱️ Ainda dá tempo
No último dia 10 de março, as salas de exposição permanente e a BPI fecharam suas portas. Mas outros espaços continuam abertos e fecharão progressivamente nos próximos meses. Portanto, ainda há tempo para conferir a retrospectiva de Suzanne Valadon e as exposições Paris Noir e Wolfgang Tillmans.
E, a partir de 22 de setembro… C’est fini! Pompidou de novo, só em 2030.
📦 Mas e agora?
Durante os cinco anos de obras, o Centro Pompidou vai se espalhar por diversos locais de Paris e do mundo. Se você está planejando uma visita à cidade, anote:
- Exposições temporárias e uma seleção permanente de obras do MNAM serão apresentadas no Grand Palais.
- Intervenções de artistas contemporâneos acontecerão na Maison de Chantier, o único espaço que permanecerá acessível no local original.
- O Studio 13/16, dedicado ao público jovem, se instalará na Gaité Lyrique.
- A BPI transferirá 80% de seu acervo para o edifício Lumière, no 12e. Seus eventos cult, como o Cinéma do réel, os Jeudis de la BD e o festival Start (dedicado aos videogames), serão organizados em parceria com outras instituições.
- O Museu do Louvre promoverá diálogos entre os acervos das duas instituições, estabelecendo paralelos entre peças antigas e obras de arte e design modernos.
- Outros museus também aproveitarão essa oportunidade para exibir obras emprestadas do Pompidou, como a Monnaie de Paris e o IRCAM, centro de música contemporânea que faz parte da estrutura do Beaubourg.
- Todas as informações estão aqui.



