Grupo de Estudos de Arquitetura de Museus - ARQUIMUSEUS

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A MARGEM E A PONTE

Dois centros culturais brasileiros da década de 1980

Cinco anos após a inauguração do Centro Pompidou em Paris, dois edifícios, com um punhado de ideias inovadoras, trouxeram o conceito de centro cultural ao Brasil e influenciaram fortemente os novos espaços para museus, galerias de arte e centros culturais posteriormente construídos em todo país. Esta pesquisa tem como objeto a arquitetura do Centro Cultural São Paulo e do Sesc Pompeia. Depois de identificar os elementos estruturadores das características formais, espaciais e da relação com o entorno, são comentados aspectos da vigência atual daquelas propostas. Ao longo do estudo são recuperadas as circunstâncias de projeto, obra e o desigual posicionamento da crítica especializada em relação às propostas. Muitas análises já foram feitas sobre a arquitetura do chamado período pós-Brasília, a dissertação apresenta as maneiras como determinados elementos e procedimentos projetuais estruturam as formas e espaços numa síntese expressiva de conceitos artísticos, tecnológicos ou sociais. São apreciados, posteriormente, aspectos discursivos dos arquitetos assim como o tratamento dispensado pela história e pela crítica às duas obras.

Mesa-redonda COLOQUIO.S

A derrubada de estátuas: desafios para a Museologia e o Paisagismo

Guilherme Araujo de Figueiredo (Universidade Federal Fluminense)

Fenômeno que atualmente ocorre em diversos países, a derrubada de estátuas suscita questionamentos sobre dicotomias inescapáveis: imagem x matéria; história x memória; tempo x espaço; homenagem x biografia; documentabilidade x artisticidade; espaço arquitetônico x espaço urbano. Todas elas plausíveis e passíveis de consideração no que diz respeito à importância e à existência das estátuas, antes de tudo, como documentos históricos e como artefatos que registram comportamentos e pensamentos significativos à presença das sociedades e suas ações. Podemos, hoje, descartar o que fizemos ontem em nome de novas convicções? Os atos reprováveis da nossa ascendência devem ser apagados da história ou precisam servir de referência para que não cometamos os mesmos erros? Estátuas comemorativas e homenageantes ainda são necessárias? Em honra de que ou quem?

Tira da rua, põe no museu

Aline Montenegro Magalhães (Museu Histórico Nacional)

No curso das manifestações contra o racismo, a estátua do traficante de escravizados, Edward Colston, foi derrubada e jogada ao rio na cidade inglesa de Bristol, após vários pedidos de retirada do espaço público. Esse ato repercutiu e continua a repercutir no mundo inteiro. Depois disso outras estátuas foram pichadas, depredadas ou retiradas do espaço público por ações de governos, como o da Bélgica, que logo tratou de deslocar uma estátua do rei Leopoldo II para um museu. No Brasil, o debate está amplo e intenso, mas nenhuma ação de fato foi feita com relação às estátuas, a não ser, algumas intervenções, como a do artista Eduardo Srur que vestiu a estátua de Borba Gato em São Paulo com colete salva vidas. Mas o que muitos têm apontado como solução é a remoção de estátuas que representam personagens do passado colonial e escravista do espaço público para os museus. E minha fala baseia se nessa sugestão. Que ideia de museu fundamenta essa sugestão? O que significaria essa mudança de lugar? No caso do MHN, por exemplo, temos estátuas indesejadas no espaço público? Enfim, essas e outras perguntas nortearão nossas reflexões a respeito dessas contestações de memórias e dos monumentos em litígio.