Dissonâncias No Quai Branly: entre apoios sem ritmo e objetos sem alma

Cecilia Rodrigues dos Santos

Arquiteta FAU-Mackenzie 1977, Doutora FAU-USP 2006, Professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie. altoalegre@uol.com.br

Ruth Verde Zein

Arquiteta FAU-USP 1977, Doutora PROPAR-UFRGS 2005, Professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie rvzein@gmail.com

Resumo

Objetos de muitos povos situados em vários continentes não europeus foram sendo reunido por expedições europeias exploratórias, e inicialmente conservados e expostos como curiosidades exóticas. Com o tempo, passam a ser tratado como objetos de interesse científico e/ou como “espécimes etnográficos”; e mais recentemente, passam a ser revalorizado por seu valor artístico. Cada mudança de enfoque acirra debates e levanta questões, e se seguem diferentes arranjos museográficos. Este trabalho analisa esse tema, de maneira crítica e interpretativa no caso Museu do Quai Branly em Paris. Seu acervo reuniu as coleções do Trocadéro e do Musée d’Outre Mer, definindo um novo museu, cujo nome evita especificar claramente sua proposta e conteúdo. A proposta arquitetônica desse “novo” museu proclama que sua forma nasceu para dar abrigo especificamente a essas coleções; mas de fato mostra-se relativamente neutra e genérica, pouco evidenciando a sua ousadia estrutural e complexidade técnica e construtiva.

Abstract

Objects from many cultures situated in several continents were gathered by European exploratory expeditions. Initially collected and exhibited as exotic curiosities, in due time they come to be considered as objects of scientific interest and/or as ethnographic specimens; and recently, they tend to be revaluated for their artistic value. Each of these shifts entail conceptual debates and polemics, and result in distinct museographic propositions. This article analyses this subject in a critical and interpretative way, considering the case of the Quai Branly Museum, in Paris. Its collection reunited those of the Trocadéro and Outre Mer Museums, creating a “new” museum that has no specific name. The architect and his team proclaim that the new building’s architecture was born to shelter that specific collection, although it is a relatively neutral and generic volume, whose daring structure and constructive complexity is also not evident.

 

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